
Emblemas de maior ou menor projecção, que protagonizaram campeonatos de grande nível ou mais modestos, que militam em diferentes escalões. Todos têm o desejo de chegar, no final, ao palco que se eternizou e que se confunde com a própria história da competição: o Estádio Nacional, no Vale do Jamor, onde se disputaram 56 das 68 Finais.
O SL Benfica é o Clube que soma o maior número de vitórias em Finais da Taça de Portugal. Ao longo de 68 edições, os “encarnados” festejaram o título em 24 das 33 presenças no jogo decisivo. Sporting (15/25) e FC Porto (13/25) seguem os benfiquistas, numa lista de vencedores que engloba mais oito emblemas (Boavista [5], Belenenses [3], Vitória de Setúbal [3], Académica [1], Sp. Braga [1], Leixões [1], Beira-Mar [1] e Estrela Amadora [1]).
Mas a Taça de Portugal que hoje conhecemos não é a mesma que em 1939 deu os primeiros passos. Nessa longínqua época de 1938/39, a Académica festejou o seu primeiro – e até agora único – título na prova, derrotando num lotado Campo das Salésias, em Lisboa, o Benfica, por 4-3. Vivíamos, então, numa época bem distante do actual profissionalismo, que permitia, por exemplo, ao guarda-redes da Briosa, Cipriano, dedicar-se igualmente ao hóquei em patins – tornar-se-ia, em 1947, o guardião da Selecção vencedora do primeiro Mundial da modalidade – e ao avançado “encarnado”, Espírito Santo, ser também um campeão no atletismo, coleccionando recordes nacionais no salto em altura, em comprimento e no triplo salto.
Nas primeiras edições da Taça, a prova era fechada a um restrito lote de 14 Clubes, com as eliminatórias a serem disputadas a duas-mãos. A partir de então, o modelo competitivo foi sendo sucessivamente alterado e adaptado, fixando-se, neste momento, na disputa de eliminatórias decididas a um só jogo, com as meias-finais a discutirem-se em duas partidas. Nesta época participaram um total de 173 equipas, que representam todos os Distritos de Portugal Continental e Regiões Autónomas.
É precisamente esta abrangência e diversidade que empresta um fascínio muito especial à Taça. Esta verdadeira “democratização” competitiva permitiu, por exemplo, que por cinco vezes um clube de escalão secundário atingisse o jogo decisivo: Vitória de Setúbal (1942-43 e 1961-62), Estoril (1943-44), Farense (1989-90) e Leixões (2001-2002), sem que no entanto nenhum tenha logrado vencer o desejado troféu.
As surpresas são, em boa verdade, parte da essência da Taça de Portugal. A glória, mesmo que efémera e limitada à continuidade em prova, faz incidir as atenções sobre emblemas de menor dimensão. O Tirsense de 1948-49 terá sido o primeiro verdadeiro “tomba-gigantes” da prova, ao afastar (2-1), logo na ronda inaugural, o Sporting dos “cinco violinos”, mesmo que os “jesuítas” tenham caído na eliminatória seguinte, com uma pesada derrota (1-5) no Algarve, diante do Lusitano de Vila Real de Santo António.
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in: FPF
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