segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vítor Pereira faz balanço final da época (RESUMO)



O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Vítor Pereira, fez esta segunda-feira um balanço «francamente positivo» do desempenho do sector na época 2010/2011.

«O balanço da arbitragem desta época foi francamente positivo. Do ponto de vista pontual, a media final foi de 3,60. Comparado com a época anterior, de 3,59, foi uma centésima superior», informou.
A satisfação do dirigente não tem tanto a ver com a quase imperceptível subida da média, mas com o facto de o grupo de árbitros ter sido consideravelmente rejuvenescido.

«Devemos considerar que tivemos cinco jovens árbitros e perdemos árbitros com grande experiência, como Lucílio Baptista e Pedro Henriques. Os jovens estiveram à altura das expectativas. Fizeram um grande esforço para se ajustar a esta competição, à nova realidade. Estamos muito satisfeitos com o desempenho dos árbitros ao longo desta época», vincou.

Além da capacidade técnica, Vítor Pereira elogiou a competência física dos juízes, revelando que «as médias finais de todos os 77 árbitros foram superiores a 95 por cento», com desempenhos «bem acima das exigências da UEFA e da FIFA».

O facto de Jorge Jesus, treinador do Benfica, ter reconhecido a superioridade do FC Porto esta época, à semelhança do que Jesualdo Ferreira tinha feito na época anterior em relação aos “encarnados”, foi o exemplo citado por Vítor Pereira para reforçar a sua satisfação.
O dirigente lembrou que os árbitros são humanos e que, por isso mesmo, é impossível eliminar o erro, mas defende que o sector está a evoluir nos últimos anos e que «com trabalho e um novo modelo é possível melhorar».

Vítor Pereira insistiu na profissionalização da arbitragem, um processo que continua sem aplicação prática, mas que quer ver uma realidade ainda no seu mandato.
«A competição precisa muito disso para ter qualidade superior. As dificuldades? Primeiro passam pelo ponto de vista jurídico, pois é necessário regulamentar a profissão. E depois pela vontade politico-desportiva para se avançar para esse passo», disse.

O presidente da CA da Liga considerou ainda que o «impasse estatutário» em relação ao futebol – «andamos há muito tempo à espera do novo enquadramento jurídico» – tem travado o processo, mas revelou a convicção de que «quando se avançar para a nova ordem, já consentânea com o regime jurídico das federações, essa situação será resolvida a contendo de todos».

O projecto piloto que decorreu na época passada durante quatro meses com vários árbitros,«monotorizado por uma entidade independente e seguido pelas instâncias internacionais», apresentou um resultado «taxativo da sua importância e urgência na sua implementação».
«Queremos colocar os árbitros lusos em paridade com os internacionais que em muitos países da Europa têm esse modelo de trabalho e treino», concluiu.

Portugal foi o segundo país mais escolhido para a Champions

Para a nova temporada, Vítor Pereira traça como objectivo conseguir levar uma equipa de arbitragem ao Euro 2012 e ainda deixa uma interrogação: «Por que não uma final europeia?»

«Nos jogos da Champions, Portugal ficou em segundo çlugar no ranking europeu, com 11 nomeações. Só a Alemanha, com 14, teve mais jogos que Portugal. Tivemos uns quartos-de-final e umas meias-finais da Liga dos Campeões, as meias-finais do Euro sub-17 e um nível geral de pontuações muito boas. Isto significa que os árbitros têm qualidade e se têm qualidade no estrangeiro também têm em Portugal», frisou. 

«Todos devem estar gratos a Elmano Santos»

Vítor Pereira confessou ainda, que, pessoalmente, preferia que os árbitros de baliza fossem «mais interventivos» e elogiou a lei inglesa que impede os treinadores de, bem ou mal, se pronunciarem sobre arbitragens no fim do jogo, embora saliente que é um aspecto que está a mudar em Portugal. «Temos sentido, ano após ano, melhorias neste campo», resumiu, frisando ainda, que os jogos negativos são, sempre, a excepção.

«É natural que, em 300 jogos, juntando os campeonatos e a Taça da Liga, haja seis ou sete que sejam maus. Estamos a falar de um por cento. Mas também é natural que a natureza humana se foque mais no erro», admitiu.

Por fim, o líder máximo da arbitragem em Portugal debruçou-se sobre o final de carreira de Elmano Santos, consumada nesta última jornada da Liga de Honra. 

«Uma carreira de 25 anos, quando é levada com seriedade, empenho e determinação deve merecer o respeito de todos e acho que todos devem estar gratos ao Elmano Santos por ter dedicado 25 anos da sua vida à arbitragem», considerou.

Fotos no balneário do árbitro: «Situação irrepetível»

Vítor Pereira abordou o caso das fotografias, passado em Braga, no intervalo do encontro entre a formação local e o U. Leiria, à margem da conferência de imprensa de balanço da temporada 2010/11 no que diz respeito às arbitragens.

Recorde-se que Bruno Paixão, o árbitro que dirigia o encontro, entregou na Liga fotografias que lhe teriam sido entregues no balneário, no intervalo do referido encontro, e que ilustravam erros cometidos durante os primeiros 45 minutos do encontro. 

«Esse é um caso que está em processo disciplinar e em fase de averiguação», começou por dizer Vítor Pereira. Mais tarde frisou que se trata de «uma situação circunstancial e irrepetível». 

O dirigente falou, depois, de forma genérica sobre o comportamento dos árbitros no intervalo dos encontros, recomendando que não se façam avaliações da actuação na primeira parte. 

«O que nós aconselhamos é que o intervalo não sirva para fazer a análise da primeira parte, mas para descansar e preparar o segundo tempo. Há momentos posteriores ao jogo que servem para fazer todo o tipo de análises. É desaconselhável que os árbitros reflictam sobre o que aconteceu na primeira parte. Se acabarem por saber que cometeram erros, isso pode afectar o seu rendimento», opinou.

Fonte: Mais Futebol /RTP /Sapo Desporto /Record /A Bola



Sem comentários: