domingo, 22 de janeiro de 2017

O preço de ser árbitro em Portugal



Nas bocas do mundo quando erram, escrutinados até fazer ferida na opinião pública e privada, alvos dos insultos mais originais, a que nem as mães escapam, etiquetados de "ladrões" ou "gatunos", às vezes até ameaçados. E tudo suportado por um valor médio de 1 140 por jogo. A maioria dos árbitros portugueses não tem salário fixo, apenas recebe se trabalhar e em caso de lesões só algum seguro particular lhes vale. Apenas os nove internacionais escapam a esta realidade.

Ser árbitro de primeira categoria em Portugal rende, atualmente, o mesmo que rendia há sete anos, quando foi tratado o último aumento dos valores pagos aos juízes que apitam jogos das duas principais divisões do futebol português. "Antes da última atualização, os árbitros ganhavam 1200 euros por jogo da Liga. Há sete anos, esse valor subiu para 1342 euros e desde aí que não há mexidas, nem sequer há previsões de isso poder mudar nos próximos tempos", referiu ao JN fonte ligada à arbitragem.
Já apitar um jogo da Liga Pro resulta num ganho de 939 euros, enquanto as funções de quarto árbitro valem 320 euros na Liga e 235 euros no segundo escalão.

Chegados a esta altura da época e somadas todas as quantias, Fábio Veríssimo, por conta de dez nomeações para jogos da Liga, cinco para a Liga Pro e mais duas presenças como quarto árbitro, uma delas na Liga Pro, é o árbitro português que mais dinheiro amealhou (18 670 euros). Vasco Santos, do Porto, foi o que ganhou menos: 10 167. Sendo internacional, Fábio Veríssimo junta a esta quantia um salário mensal de 2500 euros, "luxo" só compartido pelos árbitros com o mesmo estatuto.

Os restantes 15 juízes - mais os 12 estagiários - "ganham à peça", como resumiu a mesma fonte, o que, trocado por miúdos, quer dizer que só ganham dinheiro se trabalharem. Se forem para a "jarra" ou se se lesionarem, ficam sem o ganha-pão. Em todos os casos, e nisto não há exceções, os montantes são pagos a recibos verdes, pelo que ao valor bruto há ainda que descontar os 25% para efeitos de IRS. Comum a toda a classe é também a única regalia colocada à disposição dos árbitros pela Liga de Clubes: as viagens são pagas.

Fonte: JN

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