sábado, 21 de janeiro de 2017

Pedro Henriques em entrevista



Pergunta (P): Vivemos semanas cada vez mais polémicas em relação à arbitragem, com ameaças, com duras críticas. Considera justas as críticas feitas não só por adeptos como também por dirigentes e comentadores em relação aos árbitros?
Pedro Henriques (PH): Se todos os que comentam e criticam a arbitragem experimentassem arbitrar uma só vez um jogo de futebol, provavelmente mudavam o tom das críticas. Se todos aqueles que já foram árbitros, fossem humildes e deixassem de lado as frustrações que carregam, também mudariam de certeza a forma como criticam os atuais árbitros.

P: Acha que a Federação está a defender da melhor forma os árbitros? Como se pode contornar esta onda de críticas que tem sido gerada nas últimas semanas?
PH: Pergunta muito complexa para responder em poucas linhas. Mas digo o seguinte, acredito neste Conselho de arbitragem e em todos os seus elementos, e sei que toda a estrutura da Federação é cada vez mais competente e profissional. Como tal, acho que todos eles são as pessoas certas no lugar certo para levar a bom porto este mandato.

P: Concorda com a ideia de poder haver árbitros estrangeiros na liga portuguesa?
PH: Concordo que as principais ligas europeias, que têm os melhores clubes e os melhores árbitros, onde se insere também Portugal, possam fazer uma permuta de árbitros de forma equitativa, mas alerto que esta situação, sob o ponto de vista burocrático e financeiro, tem algumas dificuldades para ser implementado de forma assídua.

P: Acredita que esta nova fornada de jovens árbitros, que têm surgido nos últimos tempos, tem qualidade?
PH: A nossa arbitragem, tal como o nosso futebol em gera,l está num patamar de excelência, somos dos melhores do mundo nesta atividade. E não vejo, por exemplo, grandes diferenças entre os nossos árbitros e os de “lá de fora”, onde todas as semanas também vejo erros e casos, só que a grande diferença é que em alguns desses países e campeonatos não se valoriza tanto a questão da arbitragem e, sobretudo, não se desculpam tanto com os árbitros para os seus insucessos.

P: A Profissionalização da Arbitragem foi um dos assuntos que voltou à baila com estas polémicas. Atualmente, em que moldes é possível avançar-se para a profissionalização dos árbitros? Quais os benefícios dessa mudança?
PH: Os árbitros têm de ser profissionais, porque em todas as atividades um profissional tem mais competências do que um amador e nesse sentido a profissionalização é irreversível, ou seja, o futuro, em Portugal, é ter árbitros em exclusividade e profissionais.

P: E considera que o recurso às tecnologias pode vir a ser útil para ajudar os árbitros em Portugal?
PH: Todas as tecnologias que possam auxiliar o árbitro na sua tomada de decisão são bem-vindas, são úteis e vão facilitar o trabalho do árbitro e, sobretudo, vão dar mais verdade desportiva ao jogo.

P: Acha que esta é a melhor altura para se pensar em ser árbitro?
PH: Não é, nem nunca foi. Uma boa altura é para se ser crítico, de forma destrutiva, daqueles que têm a coragem de querer fazer parte do futebol apenas como mais um, que nada faz e que apenas se limita a julgar. Esta é a altura ideal para se ser árbitro e desta forma contribuir para a atividade de maior sucesso no mundo e, provavelmente, a mais apaixonante também.

Fonte: Bola na rede

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