quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Árbitra Assistente controversa encerra a carreira


Ela passou como um furacão pelo futebol. Entre os seres mais criticados do mundo da bola, lá estava uma bela mulher que lutava para chamar atenção não pela beleza, mas pela qualidade na arbitragem. Porém, com apenas 25 anos, Fernanda Colombo revelou ao blog Pombo sem asa que decidiu pendurar a bandeira justamente num momento em que FIFA e CBF acabaram com a idade-limite dos árbitros, liberando para que quem passou dos 45 anos ainda possa ir a campo. 

Fernanda fez o curso de arbitragem em 2009 e, no ano seguinte, começou a bandeirar. Chegou a ser aspirante FIFA, trabalhou em mais de 50 jogos profissionais. Mas a beleza pesou. Crucificada por um erro ao marcar impedimento inexistente do Cruzeiro diante do Atlético-MG em 2014, foi obrigada a ouvir de Alexandre Mattos, então dirigente celeste, que fosse posar "para a playboy" porque "não tinha preparo". 

À época, Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, ironizou o rival, saindo em defesa de Fernanda. 
- É porque é mulher e é bonita. Fosse um barbado e feio ninguém implicaria. Errou como erram todos. A menina errou, mas pelo menos enfeitou, é bonita. E aqueles retardados que erram direto em cima da gente?

Em 2015, Fernanda migrou da Federação Catarinense para a Pernambucana. E, já naquele ano, chegou a ser eleita a melhor assistente do estadual. Mas ela não conseguiu manter o ritmo. Muitos dizem que faltam melhor preparo físico e foco. Certo é que, agora, a ex-musa da arbitragem, que não gosta de ser chamada desta forma, já trabalha em outros projetos. 

Fernanda Colombo escreveu um livro sobre regras de futebol "expostas de maneira mais lúdica", como ela explica. Falta uma editora para publicar. Suas metas a partir de agora são trabalhar no jornalismo esportivo e, quem sabe, ter um canal no youtube para comentar arbitragem. 

Confira a entrevista: 
É verdade que você abandonou a carreira na arbitragem? Por que?
Não considero abandono, mas o fim de um ciclo. Nas minhas novas prioridades de vida, a função de árbitra não se encaixava mais. Continuo amando o futebol e a arbitragem, acompanhando e idealizando novos projetos no mesmo segmento. 
Como você avalia a sua carreira? Do que se orgulha? De que se arrepende?
A arbitragem possibilitou a realização do meu sonho de vivenciar, dentro de campo, as emoções do futebol. Tenho muito orgulho dos amigos de verdade que vieram com a arbitragem. Não tenho arrependimentos.

O que tem feito? Ainda trabalha em preparação física?
Acabo de finalizar um livro de regras do futebol expostas de maneira lúdica, com diversas atividades e personagens. Já registrei o livro e agora vou encontrar uma editora para publicá-lo. Também estou estudando, fazendo especialização em jornalismo.
Quais são suas metas e objetivos daqui pra frente?

Minha meta agora é lançar o livro e trabalhar com jornalismo esportivo.

Você acha que teve o apoio necessário durante a carreira? Até onde o machismo e a cobrança por você chamar atenção de atrapalharam? Acredita que os seus erros foram mais lembrados que erros de outros bandeiras?
Sempre tive apoio de alguma forma. A Federação Catarinense foi a minha formadora e foi através dela que recebi indicação para a CBF. Na CBF pude fazer cursos de aprimoramento e competições nacionais. A Federação Pernambucana me acolheu muito bem também. Sou grata a todos. Infelizmente erros sempre serão mais lembrados do que os acertos.

Lembra de cabeça em quantos jogos trabalhou? 

Em jogo profissionais, com certeza mais de 50. Mas ao todo, não tenho ideia.

Em 2015, você deixou o quadro de arbitragem da Federação Catarinense e passou a trabalhar na Federação Pernambucana. Isso foi bom ou ruim para você?
Foi muito bom, e eles me acolheram da melhor forma possível. Voltei a fazer o que eu queria à época que era trabalhar como árbitra assistente.
O Sérgio Corrêa disse certa vez que as pessoas não tinha paciência com você, que era muito jovem. Comparando até com jogadores jovens que precisam ser lançados aos poucos. O que você acha disso?
Ele tem razão. Os novatos carregam um peso muito grande por não terem grandes experiências. Colocá-los em desafios maiores pode dar certo ou não.
O que você acha desses afastamentos de árbitros e assistentes após erros? É o melhor método mesmo? 
O melhor método é garantir condições para que os árbitros treinem e convivam o maior tempo possível em situações que se assemelhem à realidade do jogo. Isso não acontece hoje. Já pensou se todo jogador que errasse um penalti ou um golo fosse afastado? Se isso não faz sentido para os jogadores que treinam todos os dias, por que faria para os árbitros que praticamente não treinam no campo de futebol?

Você ainda trabalha como modelo? 
Não trabalho e nunca trabalhei como modelo.

A Ana Paula posou nua. Agora afastada do futebol, você aceitaria?

Não aceitaria.

Depois de alguns anos, o que você lembra e pensa sobre o comentário do Alexandre Matos, então dirigente do Cruzeiro (após um erro contra o Atlético-MG), sobre você. Ele sugeriu que você fosse posar para a Playboy em vez de bandeirar. Como ficou essa história? Ele pediu desculpas? Se sim, você desculpou?
Foi tudo resolvido na época. Não guardo mágoas de ninguém.

Depois de anos no futebol, tem processo contra alguém?

Não tenho nenhum processo.

Você chegou a fazer alguns ensaios fotográficos usando até o uniforme de arbitragem. Acredita que isso tenha te atrapalhado?
Não atrapalhou. 

Já chegou a receber cantadas de jogadores ou dirigentes?
Algumas gracinhas, na verdade, nunca tiveram graça alguma.
Incomoda o rótulo de musa?

Só incomoda quando minha capacidade é questionada por conta disso. A beleza é muito subjetiva. Mesmo assim, não me considero musa.

Qual são os seus sonhos agora?

Meu sonho é lançar livro e continuar trabalhando com desporto, que é minha paixão. Quem sabe lançar um canal no youtube para comentar arbitragem (risos).
Agora que está afastada do futebol, pode revelar a equipa por que torcia na infância?

Não, mas o que posso garantir é que seguirei torcendo para a arbitragem.

Fonte: Globoesporte.com

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