quarta-feira, 1 de março de 2017

Um país inteiro a discutir frames, por Luís Mateus

Ruído, ruído e mais ruído (que é como quem diz «arbitragens»).


Quando se perde, ou não se ganha, a culpa é do árbitro. Às vezes, até quando se vence, só para marcar posição.

Oito clubes pediram reuniões com o Conselho de Arbitragem. Curiosamente, só três da Liga. Adivinha quais? Pois, são grandes até na forma como protestam.

Haverá bem mais com razão de queixa, até com mais razões de queixa. Ou há dúvidas?

O que será que se discute numa reunião com os membros do Conselho de Arbitragem?

Nunca pensaram nisso? Imaginem os diálogos, de um e do outro lado. Um «vejam lá isto, pá!», acredito que alguém soltará a certa altura.

A lista incluirá, a dado momento, os lances de benefício?

Ruído.

Para esconder fragilidades. Para aumentar a pressão, para criar a dúvida. Just in case.

Mais ruído.

Passam-se horas a ver a posição do pé ou da cabeça no fora de jogo, quem agarra primeiro quem, se o avançado se deixa cair ou é mesmo penálti. Pedem-se câmaras-extra, porque aquelas não chegam. É a Liga das discussões de café, de tasca. De Facebook e outras redes sociais, até eventualmente mais instrumentalizadas.

O futebol português é só ruído. E só se vê parado, frame by frame, para que não falhe a concentração e se deixe escapar algo.

Um ruído ensurdecedor. Não se grita golo, mas sim penálti. Não se exclama uau, mas sim

É uma vergonha, pá. Que roubalheira!

É sempre para o mesmo lado!

Um lado que pode ser o de X, Y ou Z. Claro que o é de tempos a tempos.

Há ligas da verdade, apelos à verdade desportiva, tribunais de arbitragem.

Temos dirigentes fracos, e um futebol em que se falha de mais. Falha-se primeiro a um nível superior. Não há políticas desportivas bem definidas, tirando um ou outro exemplo. Há demasiados jogadores estrangeiros sem qualidade, e poucos jovens a ganhar espaço. Há planteis mal estruturados. Decisões discutíveis.

A verdade, também, é que a matéria-prima não é a melhor em alguns setores, mesmo nos grandes. Isto independentemente do esforço dos atletas e de um ou outro sobredotado que tenha caído fora do molde. Na generalidade, temos jogadores piores que as ligas maiores, apesar de andarem por cá alguns excelentes futebolistas.

Só que o bom que ainda temos não o conseguimos ver no meio do fumo. Não nos apercebemos do bruá no meio dos assobios. Raramente é tema das conversas.

Por exemplo, na Luz...

Que grande golo do Chaves! A jogada de Perdigão, o remate de Bressan, a bola a entrar numa baliza que tem um guarda-redes numa forma espantosa. Fruto de uma atitude positiva, de ideias de jogo bem definidas, de trabalho bem feito durante a semana.

Perderam, mas toda a gente devia falar deles.

No Bessa, mais um golo de Tiquinho, a mostrar-se fundamental para o FC Porto. Dost a assinar mais um no Estoril também.

E no entanto...

Há um país inteiro a discutir frames.
Gostassem mais um pouco disto e seria tão melhor para todos. Inclusive para os próprios.

Fonte: MaisFutebol


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